DESCOBRINDO O MUNDO MICROSCÓPICO
Introdução
Além de nossos olhos há um mundo de curiosidades, encantamento e
informação. No entanto, o ensino/aprendizagem do mundo microscópico, da célula
em particular, é um desafio para professores e pesquisadores envolvidos com a
educação em ciências, justamente por incluírem processos e entidades que são
invisíveis a olho nu. São exemplos dessas dificuldades as confusões entre os
conceitos de célula, átomo e molécula e a falta de clareza quanto à noção de
tamanho das estruturas biológicas nos diversos níveis de organização.
As aulas práticas de microscopia no ensino médio contribuem para
estimular a curiosidade e o espírito de pesquisador nato do indivíduo,
levando-o a observar a realidade concreta do mundo. Para tanto, devem ser
criadas situações que permitem a realização de “tateios” experimentais que
facilitam a descoberta e a construção das relações significativas entre os
fenômenos.
A natural curiosidade infantil deve ser incentivada e orientada de modo
a criar condições para que o jovem possa reagir aos múltiplos estímulos que
decorrem de um contexto cada vez mais caracterizado pela ciência e pela
tecnologia. Para isso pelo menos dois requisitos básicos devem ser observados:
·
Promover o hábito
de observar, coletar, investigar, comparar e relacionar pela atividade
operativo-construtivista, isto é, pela manipulação, pelo tocar, pelo fazer,
pelo experimentar, pelo tatear, pelo construir e pelo medir e avaliar a
realidade concreta do mundo;
·
Dar a devida
importância ao ato de observar as coisas, o mundo e aprender as relações entre
os fenômenos observados. O mundo e a sociedade são o grande laboratório de
pesquisa que permite a aprendizagem de conceitos e princípios científicos.
As atividades a serem desenvolvidas nas aulas práticas estão
contempladas no item 3.1 Organização Celular da vida “Temas estruturadores” dos
Parâmetros Curriculares Nacionais. O uso de instrumentos ópticos possibilita a
identificação de estruturas formadoras dos diferentes seres vivos e a
organização celular. Além disso, a observação microscópica pode iniciar a
percepção e a discussão das atividades vitais que ocorrem no interior de
células que são controladas pelo material genético.
Objetivos
·
Criar condições
para que os estudantes desenvolvam a habilidade da observação com o uso de
equipamento óptico.
·
Motivar o
estudante para a compreensão do conceito de célula, sua diversidade e
importância para a compreensão dos processos biológicos que ocorrem na
natureza.
VISUALIZANDO AS
CÉLULAS
As células são pequenas e complexas. É difícil visualizar suas
estruturas, descobrir sua composição molecular e também descobrir como
funcionam seus componentes. O que podemos aprender sobre células depende dos instrumentos
a nossa disposição.
O microscópio óptico é uma ferramenta fundamental para a observação das
células. Uma das vantagens desse tipo de microscópio reside no fato da luz ser
relativamente não destrutiva. Porém, a quantidade de detalhes que ele permite
analisar é limitada. Os microscópios que utilizam outro tipo de radiação – em
particular, o microscópio eletrônico – podem evidenciar (ou resolver)
estruturas muito menores do que com a luz visível. Isso tem um custo, ou seja,
as preparações para microscopia eletrônica são muito mais complexas de serem
feitas e é difícil garantir que a imagem que se vê corresponde precisamente à
estrutura real que está sendo examinada.
Olhando as
estruturas das células ao microscópio
Uma célula animal típica tem entre 10 e 30 μm de diâmetro, o que
corresponde a 1/5 do tamanho da menor partícula visível a olho nu. Porém,
algumas células nervosas podem ter quase 1 metro de comprimento. Os óvulos geralmente
são células grandes – o humano, por exemplo, tem mais do que 100 μm. (Obs. As
células epiteliais geralmente têm grande diâmetro porque são células
achatadas). As células animais não são apenas pequenas, mas são também
incolores e translúcidas. Consequentemente, a descoberta de suas principais
características internas dependeu do desenvolvimento, na parte final do século
dezenove, de uma variedade de corantes que forneceram contraste suficiente para
tornar as estruturas celulares visíveis.
O poder de
resolução
Os tamanhos das células e seus componentes estão desenhados numa escala
logarítmica, indicando a gama de objetivos que podem ser resolvidos pelo olho
desarmado (nu) e pelos microscópios ópticos e eletrônicos.
As seguintes unidades de comprimento são comumente empregadas em
microscopia:
• μm (micrômetro) =
10-6 m
• nm (nanômetro) =
10-9 m
• Å (Angstrom) = 10-10
m
OBSERVAÇÃO
DE EUCARIOTOS MICROSCÓPIOS
Material necessário
• Lâminas
• Lamínulas
• Vaselina
• Pincel
• Pipeta de plástico
• Cultura com
microorganismos
• Microscópio
• Lápis/papel
Procedimento
1. Desenhar em uma lâmina limpa a forma geométrica correspondente
a uma lamínula. Usar para fazer esse desenho um pincel de ponta fina molhado em
vaselina líquida.
2. Coletar, com uma pipeta de plástico, uma gota da
cultura de microorganismos, com um pouco de restos de matéria orgânica que
servem de alimento.
3. Colocar a gota com microorganismos no centro da lâmina
com a forma da lamínula desenhada com vaselina.
4. Cobrir a gota com uma lamínula limpa
5. Colocar a lâmina preparada no microscópio. Focalizar
para análise com aumento de 100x.
6. E aí? Quantos organismos diferentes você viu? Desenhar
os microorganismos presentes em maior número.
7. Utilize as pranchinhas para saber mais sobre alguns
dos organismos visualizados.
Como iniciar uma
cultura de eucariotos microscópicos
1. Coletar, com a ajuda de uma colher, um pouco de terra
em um local onde algum acumulo de folhas no solo.
Algumas folhas caídas
no solo podem também ser coletadas.
2. Colocar o material coletado em um vidro limpo do tipo
usado para palmitos, molho de tomate, geléia, etc.
3. Cobrir com água mineral o material coletado.
4. Após cerca de 3 dias, coletar amostras de água com o
auxílio de uma pipeta. Analisar ao microscópio. Coletar a água em diferentes
profundidades. A maioria dos microorganismos estará próxima ao fundo, mas
alguns tipos preferem regiões mais superficiais.
5. A coleta pode também ocorrer na água acumulado em
pratos de vasos.
6. A coleta também pode ser feita em lagos, retirando
junto com a água matéria orgânica depositada no fundo.
Observação: Há empresas que vendem protozoários e poríferos como
alimento para peixes em aquários.
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